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A surra da seleção brasileira deveria ser um bom motivo para mudanças culturais no Brasil

Escrevo este post no calor do dia 09/07/2014, o dia seguinte ao maior vexame já vivido pela seleção brasileira em toda a sua história.

A copa deste ano é extremamente especial pelo fato de ser no Brasil, em um momento econômico e de política internacional favorável ao país. Bem, todos vemos as consequências disto desde o ano passado, quando as manifestações levaram milhões às ruas clamando por mudanças. A derrota retumbante e inconteste de nossa seleção fecha um ciclo e me parece que este desfecho é o mais apropriado possível para clamar por mudanças mais relevantes na cultura brasileira. Temos muitas fortalezas, mas também muitas fraquezas em nossa cultura e na forma como ela determina o comportamento de nossos concidadãos. Sem uma transformação ruptiva do que nos mazela não vejo como o clamor de mudança, retumbado nas ruas pelas manifestações populares, possa ocorrer.
A derrota acachapante e sua consequência no comportamento dos brasileiros me faz acreditar na necessidade da mudança das prioridades de identidade social do brasileiro. O futebol e a seleção brasileira, em particular, ocupam uma porção muito significativa da forma como nos identificamos. Já passou da hora das novas gerações cederem espaço para que outras dimensões se tornem socialmente relevantes, permitindo formar identidades sociais em que o futebol não é foco central. Temas consideravelmente mais relevantes para o Brasil seriam a ciência e as artes, fontes inestimáveis de construção de identidades inquisitivas e motivadas para a produção de transformações sociais. Tanto melhor seria ter um garoto com lágrimas nos olhos pelo maravilhamento da compreensão da dimensionalidade do universo e da maneira como a vida se formou do que pela vitória do seu time em uma frugal partida de futebol.
Não estou propondo aqui um esquecimento do futebol como elemento de identificação social, de estruturação de Selfs. Muito menos uma contraposição do futebol às artes ou à ciência. É uma impossibilidade se ‘apagar’ este tema da cultura brasileira. O futebol continuará sendo um tema fundamental para a cultura planetária por mais algumas gerações, até que outro entretenimento de massa tome o seu lugar. O que estou propondo é que troquemos o grau de prioridade deste tema por outros, que seguramente trarão consequencias muito mais positivas, relevantes e duradouras para a vida dos atuais e futuros cidadãos de nosso país do que a frugal e momentânea euforia da vitória alcançada por sua seleção nacional em uma copa do mundo.
Fica aqui o convite para que se criem oportunidades de socialização de nossas crianças que garantam a formação de identidades sociais fortes nestas outras temáticas. Fica aqui o convite para uma perspectiva pessoal de um universo grande (veja meu último post), que seja capaz de preencher os aspectos mais relevantes das identidades sociais.

Que o eventual sofrimento devido à derrota vexaminosa seja motor de mudança relevante em nossa sociedade.

O quão internacional é a Psicologia feita no Brasil VI: Algumas recomendações

setasComo prometido faço este último post da série com o intuito de sugerir ações, indicar caminhos e possibilidades para a meta de internacionalização da pesquisa científica em psicologia feita no Brasil. Como forma de organizar este post vou ordenar em duas grandes categorias de ações: as voltadas para os periódicos editados no Brasil e aquelas focadas nas ações do pesquisador/grupo de pesquisa. Como o leitor do post poderá notar várias das sugestões se entrelaçam, pois, apesar de separado nestas duas categorias todas fazem parte do mesmo sistema de pesquisa e, portanto, se sobrepõem em níveis diferentes de análise. Obviamente que eu poderia elencar outros níveis/atores envolvidos neste empreendimento, como os programas de pós e as agências de fomento/avaliação. Mas decidi por ficar apenas nestes dois níveis para tornar o post mais enxuto, ainda que mais longo do que eu gostaria, e focado em questões que considero mais urgentes.

Quanto às revistas de psicologia editadas no Brasil

Como foi amplamente argumentado na série de posts, o aumento do impacto da produção mundial da psicologia brasileira (apenas considerado o indicador do número de documentos) foi expressivo principalmente a partir de 2006. Este aumento ocorreu graças a indexação, no Scopus, da maioria dos periódicos, aumentando o número total de documentos publicados por brasileiros. É notório para a comunidade que os periódicos aqui editados padecem de problemas crônicos e estruturais em suas gestões, o que traz vários problemas severos como os prazos editoriais demasiadamente longos, entre outras intercorrências. Para que estes periódicos possam competir no disputado espaço editorial internacional são  necessárias várias ações, das quais destaco algumas:

  1. Estabelecimento de linhas editoriais claras a afinadas com a pesquisa internacional: os periódicos nacionais padecem da falta de clareza de suas linhas editoriais no concernente ao que é esperado das contribuições. É necessário que editores elaborem e publiquem, periodicamente, linhas editoriais que apontem para o tipo de contribuição que é esperada (em termos teóricos, metodológicos, foco da pesquisa em processo etc etc). Esta definição vale tanto para revistas generalistas como para as que se especializaram.
  2. Estimular pesquisa focada em processo ao invés de descritiva: a observação da linha editorial dos journals mais importantes da psicologia, sejam generalistas ou especialistas, indicam claramente que a pesquisa orientada a processo é a mais valorizada e bem avaliada. Este tipo de pesquisa resulta em maior impacto na comunidade, pois é o mote de investigação da maioria dos pesquisadores. Por motivos como este é fundamental que os periódicos nacionais tenham clareza disto e incentivem a publicação de material mais qualificado e que, por consequência, tem maiores chances de produzir impacto (em termos de citações) na produção mundial.
  3. Adoção integral de padrões de normalização internacionais: para garantir inteligibilidade com pesquisadores de todo o planeta é fundamental que os periódicos brasileiros adotem de forma integral os padrões de normalização da APA, inclusive e, principalmente, na definição rigorosa dos tipos de contribuições recebidas, garantindo aderência de tudo o que é publicado a estes tipos de contribuições. Neste sentido é fundamental a compreensão completa do que isto significa. Os padrões da APA vão muito além de um conjunto de ‘regrinhas’ sobre como citar e elaborar listas de referência, mas sim uma forma de se compreender e prescrever como o conhecimento deve ser produzido. Várias revistas analisadas em nossa série ‘adotam’ as normas da APA, mas acabam fazendo uma ‘salada russa’ desta normalização quando resolvem criar indicações complementares em suas normas, fazendo exigências não coerentes com as normas ou elaborando exemplos que não são adequados com as mesmas. Isto gera confusão e passa um recado de amadorismo para a comunidade científica, afastando potenciais contribuidores de fora do país.
  4. Publicar em língua inglesa: a publicação em língua inglesa é fundamental para o aumento da importância da produção brasileira veiculada nos periódicos editados no Brasil, por isto este esforço necessita ser empreendido, até para garantir a longevidade e qualidade da indexação em bases relevantes (como o Scopus e o ISI). Mas vale lembrar que a tradução pura e simples não é condição suficiente, pois a implementação do tópico 2 desta lista é fundamental para garantir o aumento do impacto. Traduzir para o inglês pesquisa de caráter descritivo que não é orientada a processo não vai ser condição suficiente para geração de impacto.
  5. Profissionalização da gestão editorial: os periódicos carecem de uma gestão mais profissionalizada. Em parte isto é devido ao histórico dos periódicos brasileiros, inclusive os que são alvo de análise nesta série de posts, que foram criados no âmbito de programas de pós-graduação, fruto de uma política de incentivo das agências de fomento e avaliação nacionais. Os principais journals das áreas da psicologia tem uma história de editoração, em geral, vinculada à sociedades científicas e, na maioria das vezes, com apoio editorial de grandes editoras (ex: APA, SAGE, Elsevier etc etc), o que garante agilidade, infraestrutura e equipe técnica qualificada para um processo editorial profissional. De forma geral a falta de profissionalização de nossos periódicos se apresenta em indicadores como a falta de clareza da linha editorial, pareceres de decisão editorial com ausência de substancia argumentativa para tais decisões, pareceres de consultores sem uma avaliação criteriosa do mérito teórico-científico do trabalho em análise, falta de comunicação da editoria com autores, entre várias outras intercorrências que redundam, de forma geral, na demora da tramitação e na baixa qualidade do que é publicado. Há vários elementos a serem explorados neste tópico, tanto que quero publicar uma série específica de posts exclusivamente sobre o assunto de editoração. Mas o fato é que sem periódicos realmente profissionalizados não há como almejarmos que nossos periódicos logrem produzir impacto na produção internacional em psicologia.

Como já apontei em outros posts da série avalio como muito positivo a ação da psicologia brasileira em indexar em bases relevantes os periódicos aqui editados, mas ainda há muito mais o que fazer para garantir impacto. A simples indexação, sem a implementação de ações como as cinco que listo neste post, conseguiu garantir o aumento internacional da produção nacional, mas seu impacto não aumentou na mesma proporção. Se esta ação de internacionalização por meio da indexação dos periódicos continuar com a mesma política o que vamos assistir (ou o que estamos assistindo) é um ‘voo de galinha’, que funciona mas é muito curto.

Quanto aos pesquisadores e seus grupos de pesquisa

A inovação na pesquisa surge da ação de organização de linhas de investigação que os pesquisadores executam. São estes indivíduos que formam novas gerações de pesquisadores e aglutinam as ações que proporcionaram um processo de inserção internacional da pesquisa feita no país. Por isto considero este como um nível de análise privilegiado, até porque ele produz resultados diretos no que é publicado nas revistas.

  1. Foco internacional na elaboração de projetos de investigação: considerando que os projetos de investigação do pesquisador são o foco de aglutinação de suas ações é fundamental que estes sejam elaborados de forma a atender às demandas do que é ‘atraente’ do ponto de vista internacional. A análise cuidadosa e o acompanhamento constante da linha editorial e do que é publicado nos journals de maior impacto da área do pesquisador, bem como aquilo que é publicado nos journals generalistas sobre aquela área, é o mote que deve nortear a elaboração dos projetos de pesquisa, bem como os trabalhos de mestrado e doutorado sob orientação. Especial atenção deve ser dada aos métodos e estratégias de pesquisa sendo apresentados e discutidos no campo, de forma a empregar tais procedimentos nos projetos próprios. Isto aumenta a chance de veiculação do que é produzido em periódicos editados fora do país, o que é fundamental para um processo de internacionalização sustentável, o que retroalimentará as revistas nacionais com projetos alinhados com linhas editoriais de journals efetivamente internacionais.
  2. Aproveitamento de temas e nichos locais com uma perspectiva global: evidentemente não é fácil publicar em journals de alto impacto em psicologia. A produção de inovações varia de subárea para subárea mas há possibilidade de identificação de temas e nichos, característicos de diferentes campos, como forma de produção inovadora competitiva para journals internacionais. Esta possibilidade deve ser identificada e aproveitada como estratégia para atrair a atenção de editores de bons periódicos. O Brasil está em um momento de evidência no cenário internacional e aproveitar este momento para a produção de manuscritos que explorem processos sub-estudados em nosso país são oportunidades que devem ser aproveitadas. É claro que aqui sugiro que a diretriz do item 1 seja coadunada com esta segunda diretriz, de forma a produzir conhecimento em temas e métodos referendados pela comunidade internacional, produzindo elementos de inovação que atraiam a atenção de pesquisadores pelo mundo afora.
  3. Criação de oportunidades de colaboração internacional: a criação de oportunidade para colaboração internacional é uma forma de qualificar e aumentar as chances de publicação em bons periódicos internacionais. Algumas áreas da psicologia tem maior propensão a este tipo de colaboração, como é o caso da psicologia transcultural. Mas existem ações de outros campos que necessitam ser mais bem aproveitadas pelos pesquisadores brasileiros. Um exemplo que tenho identificado está circunscrito às ações de replicação de efeitos experimentais em psicologia. Desde 2011 há um movimento bastante forte e articulado na psicologia mundial que aponta para a necessidade de valorização de ações de replicação de achados experimentais, principalmente em função da falta de credibilidade da pesquisa pela falta de replicação de efeitos e do baixo incentivo do campo, como um todo, na condução de pesquisas de replicação por laboratórios independentes. Há vários periódicos de alto impacto que já mudaram suas linhas editoriais e passaram a incentivar trabalhos de replicação. Em função da necessidade de se estabelecer redes laboratoriais que trabalhem em conjunto em projetos de replicação, este tipo de ação tem grande potencial para a produção de parcerias internacionais. Este é um exemplo de como atenção clara ao debate internacional pode possibilitar ao pesquisador a identificação de nichos que venham a potencializar sua produção internacional.

Sem dúvida a psicologia feita no Brasil está se internacionalizando e há muitos pesquisadores e programas com uma inserção expressiva no cenário internacional. Mas estes pesquisadores e programas fazem parte de uma minoria e a internacionalização faz-se necessária para toda a comunidade, de forma a torná-la sustentável. Me parece que já foram dados passos importantes, mas ainda há muito a ser feito para garantir o que já foi alcançado e para permitir sustentabilidade, algo que ainda não foi atingido. A internacionalização é fundamental para a melhoria da qualidade da pesquisa em psicologia feita no Brasil, de forma a aerar o que aqui é feito, permitindo que seja lido e criticado em todo o mundo, evitando a cilada do fechamento da produção para a formação de discípulos ou subcomunidades ‘internacionais’ que nada mais fazem do que reforçar os mesmos problemas e viéses característicos de uma comunidade científica fechada em si mesmo, lida apenas pelos seus integrantes locais. Pensar a internacionalização sob uma perspectiva global é uma forma de se possibilitar aumentar a influencia do que é feito no Brasil na pesquisa mundial, aumentar nosso impacto. O caminho não é fácil mas é necessário para dar longevidade à própria psicologia brasileira. Se não tivermos uma comunidade minimamente unificada em prol deste objetivo, avaliando oportunidade e tendo como meta internacionalizar, com ações reais e efetivas para isto, é pouco provável que consigamos atingir esta meta.

Fico por aqui e espero ter contribuído um pouco nesta discussão. Tenho a expectativa de lançar em um futuro breve ao menos mais uma série de posts para tratar de outro assunto sobre C&T da psicologia no Brasil. Obrigado por sua leitura e agradeço reações e contribuições com a discussão!

NOTA: A figura que ilustra este post foi extraída, via busca no Google, do site da Revista Exame.

O quão internacional é a Psicologia feita no Brasil IV: Como andam nossas revistas?

Considerando que nospsybull0001 posts anteriores fica patente que o incremento do impacto mundial (em quantidade de documentos) da produção científica da Psicologia feita no Brasil se deve a indexação dos periódicos editados no Brasil, nada mais lógico do que analisar indicadores destes nossos periódicos. Portanto, este é o objetivo deste quarto post da série sobre a internacionalização da pesquisa em Psicologia. A base de dados continua a mesma, as informações sobre desempenho de periódicos da Scimago.

A primeira informação que chama a atenção nesta análise é a lista de revistas editadas no Brasil, categorizadas como da área de Psicologia, indexadas no Scopus. A lista é a seguinte (com respectivo ano em que os primeiros documentos foram contados na base): Psicologia: Reflexão e Crítica – PRC (2006); Psicologia: Teoria e Pesquisa – PTP (2006); Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental – RLPF (2008); Lua Nova – Revista de Cultura e Politica (2006); Estudos de Psicologia (Natal) – EP (2006); Psicologia em Estudo – PE (2006); Psicologia e Sociedade – PS (2006); Psychology and Neuroscience – PN (2010); Psicologia Clínica – PC (2007); Psicologia: Teoria e Prática (2010); Psicologia USP (2006);  Mana: Estudos de Antropologia Social (2006);  Horizontes Antropológicos  Caderno CRH (2009); Arquivos Brasileiros de Psicologia – ABP (2009); Agora (2008); Paideia (2011). Sem entrar no mérito do critério de classificação das revistas para suas respectivas áreas que o Scopus/Scimago adota, chama a atenção que algumas das revistas tem sua identidade primária com outras áreas do conhecimento que não a Psicologia. Para efeito das análises subsequentes considerei apenas as revistas com identidade primária com a Psicologia, com avaliação em nível A1 ou A2 no Qualis de Psicologia e que foram indexadas há mais tempo na base (o que nos fornece mais dados para serem analisados), que são as seguintes: PRC, PTP, Estudos de Psicologia, Psicologia em Estudo, PS e Psicologia USP.

Considerando o indicador SJR, que refere-se ao número médio ponderado de citações que o periódico recebeu em um ano específico para os documentos publicados nos três anos prévios, todas as seis revistas brasileiras estão no terceiro e no quarto estratos da distribuição. A Figura 1 apresenta os valores SJR relativos para quatro anos em análise 2008-2011.

SJR dos dez periódicos brasileiros 2008-2011

Figura 1. Valores do SJR para os seis periódicos brasileiros em análise no período 2008-2011

No ranking geral SJR das revistas para a base corrente 2011 (coluna roxa na Figura 1), a nossa melhor colocada, PRC, está na 269ª posição e a segunda colocada, PTP, na 272ª (de um total de mais de 300 periódicos). Para se ter uma ideia o primeiro colocado neste ranking é o Annual Review of Psychology (SJR=8,14) seguido do Psychological Bulletin (SJR=5,84 – por isto a foto da capa dele neste post). Existe uma clara variação nas citações às revistas no período analisado, algumas com mais intensidade de variação e outras mais homogêneas. É necessário esperar mais tempo para a avaliação do impacto das citações às nossas revistas, mas no geral já fica evidente a necessidade de uma ação mais agressiva de internacionalização de todos os periódicos, por meio da adoção de linhas editoriais que privilegiam realmente a visibilidade e citação do que é publicado, bem como a veiculação em língua inglesa, além da profissionalização do processo editorial visando a melhoria da qualidade das publicações (sobre estas sugestões, pretendo explorar melhor o tema da editoração científica nas revistas de Psicologia em uma série específica de posts).

Como elemento comparativo analisei os indicadores médios do SJR dos seis melhores periódicos de alguns países, na área de Psicologia e comparei com o SJR médio de 2011 dos seis periódicos Brasileiros que são analisados neste post. Veja os resultados na Figura 2.

SJR médio países

Figura 2. Valores médios do SJR-2011  para os seis periódicos mais bem classificados de cada país na área de Psicologia (OBS: México e Colômbia tem apenas 4 periódicos indexados)

Esta análise apenas ressalta os indicadores de impacto muito baixos de nossos periódicos, que estão classificados nos dois estratos inferiores da avaliação do SJR.

A colaboração internacional é um indicador importante sobre a internacionalização da produção, como já foi discutido em outros posts desta série. A Figura 3 apresenta os indicadores de colaboração internacional nos periódicos em análise na série 2006-2011.

Colaboração Internacional seis periódicos brasileiros

 Figura 3. Percentual de artigos autorados por mais de um país para as seis revistas na série entre 2006-2011

Como pode se observar a taxa média das revistas é baixa (10,5%), com dois picos de colaboração da Estudos de Psicologia em 2006 e 2007. Se estes picos são retirados a média de colaboração cai expressivamente (7,5%). Nos três últimos anos da série o percentual das colaborações internacionais diminui , o que deveria ter comportamento contrário, pois se esperaria maior efeito dos investimento da internacionalização em anos mais recentes, devido ao esforço que tem sido empreendido pela comunidade para alcançar esta meta.

A avaliação do número de documentos citados em um periódico é importante para se avaliar o impacto do mesmo na área. A Figura 4 apresenta informações sobre o número de documentos citados.

% de docs publicados citados para periódicos nacionais

Figura 4. Percentual de artigos citados ao menos uma vez nos três últimos anos, em relação ao ano de referência na figura, considerando o número total de documentos publicados no mesmo período

Pode-se notar um aumento gradual na citação a documentos ao longo da série. De forma geral a média de ao menos uma citação a documentos é baixa, pois mais de 3/4 dos documentos publicados não recebem nenhuma citação. A citação aos artigos é um indicador fundamental da relevância do que é publicado e é uma informação essencial da qualidade do periódico. Ao que tudo indica nossas revistas tem produzido muito mais informação que não gera impacto do que informação que recebe alguma atenção qualificada da comunidade científica.

Se a política de internacionalização que nossa comunidade vai adotar é por meio da indexação dos periódicos editados no Brasil, então o investimento na melhoria da qualidade do que é publicado por nossos periódicos tem que mudar substancialmente, além da veiculação ser feita integralmente em Inglês. Por outro lado há alternativas para este processo de internacionalização. Veja um exemplo: A China tem apenas 2 periódicos indexados no Scopus na área de Psicologia, mas é o 14º com maior número de documentos publicados em 2011 (o Brasil é o 10º). Se rankearmos pelo fator H a China basicamente empata com o Brasil (22º China contra 21º Brasil). O investimento de nosso colega BRIC é na publicação em periódicos editados por outros países, diferente da estratégia que o Brasil tem adotado. Não acho que tenha nada de mal em indexarmos periódicos brasileiros em grandes bases, mas não dá para deixar de investir na internacionalização da pesquisa feita no Brasil por meio da publicação em periódicos de outros países. As duas ações tem que andar em conjunto, até porque uma potencializa a outra.

Há muito a ser trilhado e espero contribuir nos próximos posts desta série e nos posts da séria sobre Editoração Científica (quando der tempo o farei) sobre este assunto da qualidade do que publicamos em nossos periódicos.