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Que Universo você quer: Grande ou pequeno?

Hoje consegui assistir o 13º e último episódio da nova edição de Cosmos. Como da primeira vez, lá nos anos de 1980, o recado foi direto ao coração: a verdadeira epifania da ciência.

A busca por respostas intrigantes das mais básicas e elementares perguntas humanas é fantasticamente sintetizada no que deve (ou deveria) ser a principal motivação da ciência: conhecer! questionar! responder! perguntar! conhecer!

Imaginar o senso de unicidade que esta função de existência possui para toda e qualquer área do conhecimento é fantástico. Por mais que nos cerquemos das pseudo-barreiras de nossas disciplinas para nos afirmar, na verdade as mesmas não existem. A evidência concreta de que somos fruto do pó das estrelas e de que a psicologia nada mais é do que uma consequencia disto tudo nos dá muito mais força para a busca do desvelar das questões mais elementares, mais básicas sobre a natureza humana, seguindo os mesmos princípios que norteam a ciência (também descrito no último episódio da série): (1) questione a autoridade: (2) Pense por você mesmo; (3) teste ideias pelas evidências adquiridas por meio da observação e da experimentação; (4) Siga a evidência para onde ela apontar; e (5) Lembre-se que você pode estar errado.

Uma visão ampla de um cosmos gigante nos dá muitas coisas, mais uma, em particular, é o fundamento de tudo o que fazemos: humildade sobre o que realmente sabemos (Sócrates já disse isto há muito tempo – só sei que nada sei – e Almir Sater e Renato Teixeira refrasearam de forma maravilhosa na letra de “Tocando em frente”). Muitos anos depois da primeira apresentação da série original, Carl Salgan escreveu um dos textos mais inspirados sobre a função da ciência que já vi em minha vida e o transcrevo aqui (conforme apresentado no último episódio da série):
http://www.thepaleblue.org/wp-content/uploads/2012/07/the-pale-blue-dot-header-sm.gif
PÁLIDO PONTO AZUL
“Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada “superestrela”, cada “líder supremo”, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali – em um grão de pó suspenso num raio de sol.
A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.
As nossas posturas, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.
A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Acomodar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.
Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o “pálido ponto azul”, o único lar que conhecemos até hoje.” (CARL SAGAN)

Este senso de humildade me parece ser o principal motivador do sentido de existir da ciência, o que nos faz buscar novas respostas a novas perguntas, ou novas e mais eficientes respostas para perguntas antigas. A ciência se caracteriza por explicações da verdade que são transitórias (umas mais, outras menos), ou explicações da verdade que são constantemente questionadas para nos possibilitar construir novas e melhores alternativas explicativas para o que nos instiga e novas e inventivas soluções para nos colocar em lugares outrora inexploráveis.

Se há um possível conselho para as novas gerações que devem se aventurar por este caminho é de não se acreditar ou buscar verdades prontas ou finais, muito menos autoridades que possam dar tais respostas. O caminho é tortuoso como o da escalada em uma montanha de cascas de ovos. É necessário que se tenha consciência de que trabalhamos em conjunto, por mais que se pareça que as mentes, que trazem respostas fantásticas para questões fabulosas, são genialidades independentes. Na verdade elas apenas existem graças a outros que lhes antecederam ou que lhes são contemporâneos.


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