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O quão internacional é a Psicologia feita no Brasil V: Como estão nossas revistas no Google Scholar?

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Até o momento esta série de posts baseou suas análises no Scopus. Portanto, vale dedicar um post para apresentar alguns indicadores das nossa revistas, já analisadas com base no ranking da Scimago, mas agora com base nos dados e métricas fornecidos pelo Google Scholar. Escolhi esta base porque o sistema de indexação é bastante abrangente, não sendo tão restritivo quanto o do Scopus ou do JCR, que contam as citações apenas nos documentos indexados nas bases respectivas. Lembrando que esta análise foca as seguintes revistas nacionais já analisadas em post anterior: PRC, PTP, Est. Psic., Psic. Est., PS e USP.

A métrica a ser comparada é a única fornecida para periódicos pelo Google Scholar o índice hi-5, que é o equivalente do índice h mas restringindo os resultados para os últimos 5 anos completos. Para iniciarmos com um parâmetro comparativo vamos começar pelo Hi-5 dos dois journals de Psicologia com maior SJR (veja o post anterior sobre isto). O Psychological Bulletin tem hi-5 de 81 e o Annual Review of Psychology o hi-5 é de 67. Na Figura 1 apresento os valores comparados de todos os oito periódicos.

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Figura 1. Comparação entre os índices hi-5 do Google Scholar para os oito periódicos em análise

O primeiro aspecto que chama a atenção é a ausência de identificação da Revista Psicologia em Estudo (Psic. Est.) que não tem qualquer informação métrica na base do Google Scholar. A ferramenta permite identificar o conjunto de artigos mais citados de cada periódico. Tomando por base o artigo mais citado da PRC (Nicolaci-Costa, A.M., 2007 – com 56 citações) observa-se que nenhuma das citações é feita por veículo editado fora do país.  A mesma ocorrência se repete quando é analisado o artigo mais citado da PTP (Siqueira, M. M. M & Padovam, V. A. R., 2008 – com 53 citações), quando a grande maioria das citações é feita por veículos editados no país. Infelizmente o Scholar não dispõe (ou ao menos eu não consegui encontrar como fazê-lo) de outras ferramentas de busca que pudesse me dar indicadores de tendências das citações e de suas origens, de forma a substanciar este argumento. Mas o que quero demonstrar com este ponto é o que venho enfatizando  com a análise feita no SJR, de que o que é publicado nas revistas de psicologia editadas no país recebe apenas citações em veículos editados também no país. Existem exceções, mas são exatamente isto, a minoria das citações. Infelizmente não consegui que o Scimago me respondesse ao questionamento, que fiz por duas vezes, de como acessar a base de dados deles, para avaliação do impacto mundial da produção, retirando parte dos periódicos. Me interessa saber qual o impacto internacional da Psicologia feita no Brasil no Scopus desconsiderando os periódicos aqui editados. Se algum leitor deste post souber como fazer isto agradeço me informar, pois esta seria um indicador complementar relevante para vários dos argumentos apresentados nesta série.

Com base no conjunto de dados e argumentos que apresentei nesta série de cinco posts sobre a internacionalização, fica bastante evidente que os atores responsáveis por esta meta para a Psicologia brasileira devem avaliar o que tem sido feito nesta direção, de forma a criar condições reais e sustentáveis para a inserção internacional, de forma mais estruturada e com aumento de impacto (e não apenas da quantidade do que é produzido). É bem verdade que o tempo ainda é curto para observamos um efeito mais amplo do impacto da produção, pois como já alertei, este indicador é fundamentalmente dependente do tempo. Mas também apresentei evidências de indicadores não dependentes do tempo que apontam que a internacionalização é extremamente incipiente. Vou encerrar esta série de posts, que inauguraram este blog, no sexto post, no qual procurarei sintetizar algumas ações que julgo pertinentes para avançar no processo de internacionalização da psicologia feita no Brasil. Até lá!


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